No decorrer da história podemos analisar as diversas maneiras de organizar e conceber o trabalho. Em seu processo de desenvolvimento, podemos vê-lo sendo moldado ao mesmo tempo que moldando a(s) sociedade(s). Analisemos então o trabalho dentro de determinados períodos históricos.
PRÉ-HISTÓRIA
Não há como apontar o início de tudo ou estimar certamente quando o trabalho começou. Sabe-se quanto à consciência do homem, do momento em que ele passou a agir racionalmente e planejar seus atos. Assim, os antropólogos apontam o começo da divisão do trabalho já na pré-história, tendo se dado entre os sexos., quando as atividades típicas da época como caçar, garantir proteção do grupo e guerrear eram reservadas ao homem enquanto os cuidados com os filhos e as atividades domésticas ficavam com a mulher.
Neste período, o foco dos grupos (ou bandos) era essencialmente a sobrevivência no meio em que viviam. As comunidades dependiam da caça e da coleta e isso os faziam migrar quando as reservas naturais da região em que estavam se tornavam insuficientes para o grupo. Chamamos a essas comunidades de nômades, pois não tinham habitações fixas.
Empós, no período neolítico (que vai do décimo ao terceiro milênio a.C.), com o surgimento da agricultura, a domesticação de animais e o próprio surgimento da necessidade de armazenamento de alimentos, o trabalho vai ganhando novos rumos, objetivos e planos. É quando surgem as comunidades sedentárias (que têm habitações fixas), possibilitando a troca de produtos entre membros de aldeias vizinhas, além, claro, de começarem a produzir quantidades maiores de alimentos que excedessem o necessário para o consumo imediato.
ANTIGUIDADE ou IDADE ANTIGA
Durante a Antiguidade, o trabalho manual fora considerado em várias sociedades como uma atividade menor, desprezível, que em pouco se diferenciava da atividade animal. A valorização concentrava-se mais no trabalho intelectual, próprio dos homens que podiam se dedicar à cidadania ou mesmo ao ócio. É o que diz Aristóteles, filósofo grego (384-322 a.C.):
"A utilidade do escravo é semelhante à do animal. Ambos prestam serviços corporais para atender às necessidades da vida. A natureza faz o corpo do escravo e do homem livre de forma diferente. O escravo tem o corpo forte, adaptado naturalmente ao trabalho servil. Já o homem livre tem o corpo ereto, inadequado ao trabalho braçal, porém apto para a vida do cidadão. Os cidadãos não devem viver uma vida de trabalho trivial ou de negócios (estes tipos de vida são ignóbeis e incompatíveis com as qualidades morais); tampouco devem ser agricultores os aspirantes à cidadania, pois o lazer (ócio) é indispensável ao desenvolvimento das qualidades morais e à prática das atividades políticas."
ARISTÓTELES. Política, cap. II. 12546b, e cap. VIII, 1329a.
IDADE MÉDIA
Na Idade Média, pouco desta concepção mudou. Todavia, o trabalho passou a ser considerado um “bem árduo”, necessário à evolução do homem, por meio do qual cada indivíduo se tornaria um homem melhor, conforme referia São Tomás de Aquino (1221-1274), filósofo e teólogo cristão. Contudo, se era valorizado o trabalho intelectual. A novidade era que o trabalho braçal, de acordo com o cristianismo medieval, seria uma forma de sofrimento que serviria como provação e fortalecimento espiritual para se alcançar o Reino do Céu.
IDADE MODERNA
A partir da ascensão social da burguesia, por volta do século XVI, a concepção católica sobre o trabalho sofreu contestação. Surge, neste período, o protestantismo, que fez com que o trabalho fosse revalorizado trazendo como sinal de "bênção de Deus" os que tinham sucesso econômico. Nestes paradigmas, o homem deveria viver uma vida lucrativa e ativa, pautada pelo trabalho. Entre essa ética protestante e o desenvolvimento da do capitalismo nos países que predominavam o protestantismo, Max Weber (1864-1920), sociólogo alemão, analisou que haveria uma suposta relação e que este sentido de trabalho valorizado, que visa a busca pela riqueza, ficou restrito às "classes maiores", que conseguiram acumular capital e investir nas atividades produtivas.
IDADE CONTEMPORÂNEA
No século XIX, o filósofo alemão Friedrich Hegel (1770-1831) definiria o trabalho como elemento de autoconstrução do homem. Ele destaca, assim, o aspecto positivo do trabalho, ou seja, o fato de o homem não apenas se formar e se aperfeiçoar, mas também se libertar, pelo domínio que exerce sobre a natureza.
Tal como Hegel, Karl Max (outro filósofo alemão) também resguardou esse aspecto fundamental do trabalho, todavia destacou seu lado negativo nas sociedades capitalistas, questionando a suposta liberdade do trabalhador assalariado – compelido a vender sua força de trabalho para sobreviver, eis que única opção existente, além de revelar as condições aviltantes a que eram submetidos os trabalhadores no processo de produção e os corolários danosos destas circunstâncias sobre suas vidas. Desvendou, pois, o processo de alienação (conteúdo das próximas aulas) que nada mais é senão consequência do trabalho forçado. , desenvolvido a partir do trabalho assalariado nas sociedades cujo modo de produção era o capitalista.
Referência bibliográfica/Fontes de pesquisa:
ARISTÓTELES. Política. cap. II. e cap. VIII.
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo.
Karl Max - http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx
Conceito de alienação (segundo Karl Max) http://marcilohistoricizando.blogspot.com.br/2007/08/conceito-de-alienao-segundo-karl-marx.html
O escravo como coisa e o escravo como animal. (Artigo de Beatriz Avila Vasconcelos- disponível no link: http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/julho2012/arquivos_pdf/15.pdf)
Referência bibliográfica/Fontes de pesquisa:
ARISTÓTELES. Política. cap. II. e cap. VIII.
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo.
Karl Max - http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx
Conceito de alienação (segundo Karl Max) http://marcilohistoricizando.blogspot.com.br/2007/08/conceito-de-alienao-segundo-karl-marx.html
O escravo como coisa e o escravo como animal. (Artigo de Beatriz Avila Vasconcelos- disponível no link: http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/julho2012/arquivos_pdf/15.pdf)
Período neolítico - http://pt.wikipedia.org/wiki/Neol%C3%ADtico
A alienação do trabalho e a advocacia moderna - http://ensaiolibertario.blogspot.com.br/2009/11/alienacao-do-trabalho-e-advocacia.html
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